A candeia é da família Asteraceae e pertence ao grupo ecológico das pioneiras, sendo considerada precurssora na invasão de campos. Ela se desenvolve rapidamente em campos abertos, formando povoamentos mais ou menos puros. Existem várias espécies de candeia, com destaque para Eremanthus erythropappus (DC.) Macleish e a Eremanthus incanus (Less.) Less que apresentam maior importância econômica e maior ocorrência em Minas Gerais. Estas espécies são endêmicas, ocorrendo tanto em área de Floresta Atlântica quanto no Cerrado, adaptam-se bem a solos pouco férteis e rasos.
E. erythropappus forma uma grande população na região mais elevada do parque, denominada Candeial. Esta unidade ambiental é encontrada no Parque Estadual do Ibitipoca e caracteriza-se pelo predomínio da candeia no estrato arbóreo e de gramíneas no estrato inferior.
Recentemente, a candeia revelou-se como matéria-prima de grande qualidade para a produção de óleo essencial, cujo principal componente, o alfabisabolol, possui propriedades antiflogísticas, antibacterianas, antimicóticas, dermatológicas e espasmódicas.
Sua principal utilização tem sido na produção de moirões com alta resistência ao apodrecimento, ao ataque de cupins e a bactérias do solo. Durante o seu crescimento, tipicamente forma caules tortuosos, o que pode ser parcialmente dependente de sua nutrição mineral, sendo essa uma característica que às vezes dificulta seu uso.
Apesar da exploração da candeia e da comercialização de seus produtos serem atividades geradoras de renda, ainda não há um sistema de manejo consolidado para essa espécie, tanto para as áreas onde sua ocorrência é natural, como para plantios puros ou mistos que visam a um uso comercial mais planificado. A exploração irregular em plantios com fins comerciais seguido do corte indiscriminado da madeira, inclusive em áreas de Unidade de Conservação, faz com que a candeia entre na lista de espécies ameaçadas de extinção.