O que o “manejo da vida selvagem” significa para o Brasil?

O manejo da vida selvagem é considerado um meio para a prática da conservação. Entretanto, os objetivos do manejo da vida selvagem, como praticado na América do Norte e na Europa, estão ligados, em sua maioria, à obtenção de lucro financeiro e não necessariamente à conservação da natureza. Além disso, em muitos locais, o manejo da vida selvagem está se tornando mais um “controle de danos gerados pela vida selvagem” do que voltado à sua conservação.

Por que o manejo da vida selvagem não é um modelo de conservação no Brasil? Basicamente, a vida silvestre neste país, exceto em circunstâncias limitadas, não é adequada ao manejo ou à lucratividade. É ainda pouco estudada e as informações necessárias para o “manejo” não estão disponíveis – e talvez, na prática, seja impossível reuni-las. Em vez de estudar ou praticar o “manejo da vida selvagem”, sugiro voltarmos esses esforços para o “manejo da conservação humana”. Esse manejo ensinaria as pessoas a viver e conviver com a natureza e poderia possivelmente nos fornecer as ferramentas de que precisamos para preservar a natureza com eficiência, por intermédio da limitação de nosso próprio impacto.

O manejo da vida selvagem tem uma história longa e interessante, desde os dias em que a “caça” era basicamente um esporte para a realeza, até o presente, em que é considerada uma fonte de renda. Surpreendentemente, mesmo antes de Darwin escrever A Origem das Espécies, em 1859, aqueles que manejam a vida selvagem reconheceram a necessidade do controle de predadores e doenças, e de oferecer proteção e hábitat para os animais de caça.

O “controle de animais” é um campo novo em rápido crescimento para aqueles que atualmente manejam a vida selvagem. Portanto, o controle, que na terminologia de hoje é chamado de “manejo sustentável”, é a meta atual do manejo da vida selvagem. Antes de pensar que sabemos como controlar ou manejar, devemos voltar ao passado e ver quão eficaz esse manejo tem sido.
 
Devemos considerar que o modelo de “manejo da vida selvagem”, como existe hoje, deve ser substituído por uma estratégia de manejo diferente e mais orientada para áreas tropicais. Como os exemplos demonstram, para a vida selvagem gerar renda é preciso que primeiro seja abundante e depois caçada, devendo os caçadores pagar pelo privilégio de fazê-lo. Em outras palavras, a vida selvagem tem preço e o controle dessa vida selvagem deve gerar renda para os vários órgãos estaduais e federais que irão “gerenciar” essa fonte de renda.
 
Por: James J. Roper
Natureza & Conservação - vol. 4 - nº1 - Abril 2006 - pp. 8-18